- Tu tens um dom, Giovanni.
De que vale uma vida, em que tudo perdeu o sentido?
De que vale um simples sentimento, quando sabe-se de onde vêm, e que nada mais são do que química?
Vale de muita coisa, você para de acreditar em tantas coisas, passa a viver mais livre, se torna uma espécie de imoralista, se torna uma espécie de deus, ou, para alguns, o próprio diabo.
Giovanni foi bom até o dia que percebeu que não precisava ser. Depois foi definhando até se assustar com suas próprias ações. Até perceber que se machucaria menos assim na vida.
Desde então se tornou uma pessoa de baixo caráter.
- Ahhhh Giovanni você entendeu tudo errado, eu queria era teu amigo.
Ouvir isso da garota que se mais quer na vida dói bastante. Dói mais ainda ouvir isso a vida toda. Ou você toma vergonha e muda ou fica na merda para sempre. Alguns enxugam as lágrimas e se tornam verdadeiros gênios, outros são fracos demais e vivem esperando que as coisas vão melhorar, que existe um deus lá em cima que se preocupa e ama eles e que tem uma pessoa especial que no futuro irá aparecer para eles.
Eu não julgo Giovanni, ele tem seus motivos. De fato, quem quiser lhe atribuir adjetivos como cafajeste, sem caráter não erraria, a questão é que alguns gostam de tais adjetivos e se sentem bem em serem odiados.
Giovanni passou a se preocupar somente consigo e curiosamente passou a conseguir as mulheres que desejava dali pra frente.
Conseguiu tantas que se tornou ainda menos preocupado com os sentimentos alheios e ai começou a fazer testes, quanto mais escroto ele era com as garotas, mais elas choravam por ele e mais o amavam.
Masoch sentiria inveja de Giovanni. Fazer sofrer. Tornou-se seu fetiche. Mas com o tempo ele se cansou e foi atrás de coisas mais hardcore.
Chegou ao ápice ao se identificar com um personagem de um livro que lera. Fausto. Mefistófeles e Giovanni seriam a mesma pessoa? Para um bom entendedor Fausto e Mefistófeles eram, Giovanni seria um Fausto então.
Nessa época de identificação, alguns diriam que ele havia chegado ao fundo do poço, se tornou alguém com pensamentos tão maldosos e perversos que talvez até o diabo se assustasse.
O prazer funciona dessa forma, quanto mais estímulos se tem mais se acostuma com eles e mais se quer coisas mais fortes.
Fausto se sentia bem por perverter. Fausto era Mefisto. Mefisto era Giovanni. Todos somos o diabo, é cômico, é poético.
Prazer por perverter. O sexo perde o significado e só o que fica é a ideia de que você tornou uma pessoa pura alguém tão imundo quanto você, era tão mágico para Giovanni que só em saber que ele possivelmente destruiu a vida de alguém ele estava bem, sexo era desnecessário depois disso, ele encontrou o seu nirvana, seu momento de paz e êxtase, ninguém fica tão bem assim com algo que vinha de graça. Bem de graça não, esse estado exigia a desgraça alheia, mas não importava, tantas vezes fizeram isso com ele, ele estava justificado perante o deus que nunca o ajudou.
Karol foi a primeira. As amigas delas ficaram revoltadas em como ele transformou alguém muito legal e dócil em alguém vingativo, que tentava a todo custo ser notada por Giovanni, suas pequenas vinganças não o atingiam, na verdade o divertiam muito e lhe davam muito prazer.
Karol, Karol... Pobre Karol... Karol já era.
Giovanni achava que não poderia ficar apaixonado. Até que conheceu Aline.
Aline, garota gostosa, cabelos pretos. CRENTE. Virgem e levemente inocente, porém inteligente demais para ser enganada tão facilmente. Ela conhecia a fama de Giovanni, o que nesse caso dificultou bastante as coisas, nosso herói não iria desistir tão fácil.
Quanto mais ele tentava mais ela dificultava as coisas, agora era questão de honra para ele.
Aline sabia que ele era um porco egoísta e mal que destruía a vida das pessoas, por isso o evitava, apesar de no fundo sentir-se atraída por ele, como todas as outras.
Como ele faria para se aproximar de uma menina que tinha tantas barreiras e escudos contra ele?
Teve o plano perfeito, o gênio que era concebeu a ideia de fazê-la pensar que havia mudado por conta dela.
Um dia sem que Aline percebesse, Giovanni pegou o celular dela e escondeu. Quando Aline se deu conta de que seu celular tinha sumido, ficou em desespero, lágrimas desciam do seu rosto enquanto ela corria para todos os cantos achando que havia esquecido ele pela lanchonete da faculdade.
Giovanni se mostrou preocupado e a acompanhou. Aline estava tão desesperada, aquele celular fora tão caro para sua família pobre comprar que ela não poderia perder, ela nem percebeu que aquele ser egoísta poderia estar tramando algo.
Os dois corriam para cima e para baixo. Lágrimas desciam dos olhos desesperados de Aline. Giovanni tentava acalma-la, se segurando para não rir, aquela cena era linda na sua cabeça.
Quando Aline estava perdendo as esperanças, Giovanni deu a ideia de refazer os paços dela naquela tarde na faculdade. Foram até um banco onde ela tinha se sentado, e Giovanni sem que a garota percebesse, tirou o celular do bolso, e fingindo procurar pelo chão, fingindo pegar algo apareceu com o celular. Aline ficou tão feliz que abraçou ao rapaz.
Giovanni sabia o que isso significava, era um momento de forte emoção, perfeito para beijar. Beijou. Aline aceitou o beijo. Pronto, todo o plano tinha dado certo. A única coisa que ele não havia previsto era que ia gostar tanto do beijo daquela garota e do calor de seu corpo junto ao dele.
Giovanni havia pegado uma das meninas mais difíceis da faculdade.
- Tu tens um dom, Giovanni!!!
Diziam os caras que o admiravam.
Depois de conquistar a garota foi fácil leva-la para a cama, foi só inicia-la na arte da bebida. E quão bêbada ela ficou.
O sexo foi surpreendente para Giovanni, sentiu coisas que nunca tinha sentido, de fato se percebeu apaixonado, pela primeira vez após sua transformação em um monstro.
Era aquela a sua alma gêmea? A garota que deus havia separado para ele? Podia em fim achar sua redenção como ser humano e se aquietar ao lado de alguém que lhe amava, envelhecer ao lado de alguém que se preocupava com ele, ter filhos e em fim morrer em paz.
Giovanni levantou-se da cama. Virou para Aline e disse:
- Estou indo embora.
Ela perguntou assustada:
- Como assim?
- Eu já consegui o que eu queria, tu não é mais pura.
Giovanni riu e saiu do quarto coçando o saco, deixando a garota em prantos na cama.
Por alguns momentos ele ponderou se aquela atitude havia sido a certa, ele poderia enfim ter a paz que incialmente queria, mas no final sabia que Fausto sempre morrerá sozinho.
Nosso herói caiu no mundo atrás de uma nova vítima.
Eu não julgo Giovanni, ele tem seus motivos, e eu não julgo ele até porque... Bom... Eu sou ele. E é foda ser ele.
“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Friedrich Nietzsche
De que vale uma vida, em que tudo perdeu o sentido?
De que vale um simples sentimento, quando sabe-se de onde vêm, e que nada mais são do que química?
Vale de muita coisa, você para de acreditar em tantas coisas, passa a viver mais livre, se torna uma espécie de imoralista, se torna uma espécie de deus, ou, para alguns, o próprio diabo.
Giovanni foi bom até o dia que percebeu que não precisava ser. Depois foi definhando até se assustar com suas próprias ações. Até perceber que se machucaria menos assim na vida.
Desde então se tornou uma pessoa de baixo caráter.
- Ahhhh Giovanni você entendeu tudo errado, eu queria era teu amigo.
Ouvir isso da garota que se mais quer na vida dói bastante. Dói mais ainda ouvir isso a vida toda. Ou você toma vergonha e muda ou fica na merda para sempre. Alguns enxugam as lágrimas e se tornam verdadeiros gênios, outros são fracos demais e vivem esperando que as coisas vão melhorar, que existe um deus lá em cima que se preocupa e ama eles e que tem uma pessoa especial que no futuro irá aparecer para eles.
Eu não julgo Giovanni, ele tem seus motivos. De fato, quem quiser lhe atribuir adjetivos como cafajeste, sem caráter não erraria, a questão é que alguns gostam de tais adjetivos e se sentem bem em serem odiados.
Giovanni passou a se preocupar somente consigo e curiosamente passou a conseguir as mulheres que desejava dali pra frente.
Conseguiu tantas que se tornou ainda menos preocupado com os sentimentos alheios e ai começou a fazer testes, quanto mais escroto ele era com as garotas, mais elas choravam por ele e mais o amavam.
Masoch sentiria inveja de Giovanni. Fazer sofrer. Tornou-se seu fetiche. Mas com o tempo ele se cansou e foi atrás de coisas mais hardcore.
Chegou ao ápice ao se identificar com um personagem de um livro que lera. Fausto. Mefistófeles e Giovanni seriam a mesma pessoa? Para um bom entendedor Fausto e Mefistófeles eram, Giovanni seria um Fausto então.
Nessa época de identificação, alguns diriam que ele havia chegado ao fundo do poço, se tornou alguém com pensamentos tão maldosos e perversos que talvez até o diabo se assustasse.
O prazer funciona dessa forma, quanto mais estímulos se tem mais se acostuma com eles e mais se quer coisas mais fortes.
Fausto se sentia bem por perverter. Fausto era Mefisto. Mefisto era Giovanni. Todos somos o diabo, é cômico, é poético.
Prazer por perverter. O sexo perde o significado e só o que fica é a ideia de que você tornou uma pessoa pura alguém tão imundo quanto você, era tão mágico para Giovanni que só em saber que ele possivelmente destruiu a vida de alguém ele estava bem, sexo era desnecessário depois disso, ele encontrou o seu nirvana, seu momento de paz e êxtase, ninguém fica tão bem assim com algo que vinha de graça. Bem de graça não, esse estado exigia a desgraça alheia, mas não importava, tantas vezes fizeram isso com ele, ele estava justificado perante o deus que nunca o ajudou.
Karol foi a primeira. As amigas delas ficaram revoltadas em como ele transformou alguém muito legal e dócil em alguém vingativo, que tentava a todo custo ser notada por Giovanni, suas pequenas vinganças não o atingiam, na verdade o divertiam muito e lhe davam muito prazer.
Karol, Karol... Pobre Karol... Karol já era.
Giovanni achava que não poderia ficar apaixonado. Até que conheceu Aline.
Aline, garota gostosa, cabelos pretos. CRENTE. Virgem e levemente inocente, porém inteligente demais para ser enganada tão facilmente. Ela conhecia a fama de Giovanni, o que nesse caso dificultou bastante as coisas, nosso herói não iria desistir tão fácil.
Quanto mais ele tentava mais ela dificultava as coisas, agora era questão de honra para ele.
Aline sabia que ele era um porco egoísta e mal que destruía a vida das pessoas, por isso o evitava, apesar de no fundo sentir-se atraída por ele, como todas as outras.
Como ele faria para se aproximar de uma menina que tinha tantas barreiras e escudos contra ele?
Teve o plano perfeito, o gênio que era concebeu a ideia de fazê-la pensar que havia mudado por conta dela.
Um dia sem que Aline percebesse, Giovanni pegou o celular dela e escondeu. Quando Aline se deu conta de que seu celular tinha sumido, ficou em desespero, lágrimas desciam do seu rosto enquanto ela corria para todos os cantos achando que havia esquecido ele pela lanchonete da faculdade.
Giovanni se mostrou preocupado e a acompanhou. Aline estava tão desesperada, aquele celular fora tão caro para sua família pobre comprar que ela não poderia perder, ela nem percebeu que aquele ser egoísta poderia estar tramando algo.
Os dois corriam para cima e para baixo. Lágrimas desciam dos olhos desesperados de Aline. Giovanni tentava acalma-la, se segurando para não rir, aquela cena era linda na sua cabeça.
Quando Aline estava perdendo as esperanças, Giovanni deu a ideia de refazer os paços dela naquela tarde na faculdade. Foram até um banco onde ela tinha se sentado, e Giovanni sem que a garota percebesse, tirou o celular do bolso, e fingindo procurar pelo chão, fingindo pegar algo apareceu com o celular. Aline ficou tão feliz que abraçou ao rapaz.
Giovanni sabia o que isso significava, era um momento de forte emoção, perfeito para beijar. Beijou. Aline aceitou o beijo. Pronto, todo o plano tinha dado certo. A única coisa que ele não havia previsto era que ia gostar tanto do beijo daquela garota e do calor de seu corpo junto ao dele.
Giovanni havia pegado uma das meninas mais difíceis da faculdade.
- Tu tens um dom, Giovanni!!!
Diziam os caras que o admiravam.
Depois de conquistar a garota foi fácil leva-la para a cama, foi só inicia-la na arte da bebida. E quão bêbada ela ficou.
O sexo foi surpreendente para Giovanni, sentiu coisas que nunca tinha sentido, de fato se percebeu apaixonado, pela primeira vez após sua transformação em um monstro.
Era aquela a sua alma gêmea? A garota que deus havia separado para ele? Podia em fim achar sua redenção como ser humano e se aquietar ao lado de alguém que lhe amava, envelhecer ao lado de alguém que se preocupava com ele, ter filhos e em fim morrer em paz.
Giovanni levantou-se da cama. Virou para Aline e disse:
- Estou indo embora.
Ela perguntou assustada:
- Como assim?
- Eu já consegui o que eu queria, tu não é mais pura.
Giovanni riu e saiu do quarto coçando o saco, deixando a garota em prantos na cama.
Por alguns momentos ele ponderou se aquela atitude havia sido a certa, ele poderia enfim ter a paz que incialmente queria, mas no final sabia que Fausto sempre morrerá sozinho.
Nosso herói caiu no mundo atrás de uma nova vítima.
Eu não julgo Giovanni, ele tem seus motivos, e eu não julgo ele até porque... Bom... Eu sou ele. E é foda ser ele.
“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Friedrich Nietzsche